Isolamento e solidão são retratados em estudo desenvolvido por acadêmico da UFRGS

Solidão. Isolamento. A tese de doutorado do acadêmico em Artes Visuais (PPGAV/UFRGS), Carlos Donaduzzi, tem previsão de defesa em agosto deste ano. Um recorte do seu trabalho de pós-graduação tem retratado o isolamento social provocado por esse momento único e peculiar em que a sociedade mundial está vivendo.

De sua casa, em Santa Maria, Carlos captou no Google Street View imagens que mostram o mundo em quarentena. A pesquisa do fotógrafo usou cada uma das letras da palavra ISOLAMENTO e foi realizada durante o seu período de quarentena, “momento em que questões como solidão e isolamento foram percebidas, através desse contexto de pandemia, e possibilitou perceber de outra maneira esses assuntos mencionados”, elucida ele.

Os achados mostram 10 momentos de solidão e isolamento de cidades em Israel, Oslo, Malta, entre outros. A série pode ser conferida em reportagem especial publicada pela Folha de São Paulo no sábado, 6 de junho, por João Perassolo. Confira: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/06/de-casa-fotografo-captura-imagens-em-tablet-para-projetar-mundo-em-quarentena.shtml.

O estudo

A tese de Carlos traz um assunto em evidência: a solidão. ‘Armado’ com recursos fotográficos, o acadêmico discute no trabalho a ideia de Solidão hiperconectada: fotografias e vídeos-quase-fotografias sobre modos de existência na contemporaneidade. “Apresento um pensamento em torno do cotidiano e de como a tecnologia e as redes sociais podem e interferem no comportamento das pessoas”, diz ele.

A pesquisa em poéticas visuais utiliza como método uma linha prática/teórica, unindo a produção de fotografias e vídeos com desdobramentos teóricos que conversam com o cenário de artes visuais. Como referências, Carlos utilizou obras da história da arte e, principalmente, a pintura do artista plástico Edward Hopper, que aborda o isolamento e a solidão.

“A ideia de solidão hiperconectada partiu da concepção de um isolamento social voluntário, de uma escolha por parte de algumas pessoas de viver mais no mundo virtual, das redes sociais, do que no mundo real. Isso eu trabalho nas imagens e no texto e discuto o papel da fotografia nesse contexto, como uma imagem capaz de criar ficções para a própria vida que é divulgada nas redes sociais”, explica o autor.

Dentre os principais debates propostos pela pesquisa até o momento, estão os seguintes:

  • Perceber o papel e o impacto da fotografia nas redes sociais, através de percepção do seu uso como ferramenta para construir imagens idealizadas de si;
  • Compreender o papel das redes sociais nas mudanças de comportamento das pessoas;
  • Como esse cenário impacta no cenário das artes visuais, influenciando estudos e produções’
  • As fotografias realizadas como forma de apresentar visões às questões de solidão e isolamento.

Segundo o doutorando, dentre os achados da pesquisa destaca-se o impacto do volume de imagens postadas nas redes sociais na saúde mental. “Algumas pesquisas mostram o Instagram e o Facebook como plataformas associadas a problemas de depressão e ansiedade”, afirma ele. Um desses estudos é #StatusOfMind: Social media and young people’s mental health and wellbeing (Status da mente: redes sociais, saúde mental e bem-estar dos jovens).

Estudos como esse trazem para a academia um debate importante sobre hiperconexão, solidão e isolamento social. Para Carlos, esses fatores estão atrelados a uma visão de mundo virtual e real distintos e que precisam ser visíveis. “Um trabalho em artes visuais pode gerar visibilidade para questões como a solidão e o isolamento social. Na pesquisa eu busco entender o mundo de hoje, através de estudos científicos, filmes, músicas, textos literários e obras de arte que discutem esse modo de existência cada vez mais mediado por telas e aparelhos conectados à Internet”, ressalta ele.

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